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sexta-feira, 15 de abril de 2011

O Jornalista, ou melhor, o estudante de Jornalismo


Depois do massacre na escola do Rio de Janeiro comecei a pensar sobre a profissão que daqui a dois anos exercerei de verdade.
Dizem os estudiosos, os professores e experts no quesito “jornalismo” ou “comunicação” que o jornalista ou o comunicador, como queiram, não deve se envolver com a notícia.
Até aí tudo bem... Aprendemos na Faculdade um modelo de Jornalismo, e levamos adiante até os dias de hoje. Dizem também, que devemos levar a realidade ao público, fazer com que os leitores ou espectadores sintam a notícia, que devemos escolher entre a razão e ver que a notícia não é só o relatar de um fato, mas que ela também é um produto a ser vendido. Mas que mesmo levando a “realidade”, mesmo usando a banalidade e que não podemos nos envolver ou interferir no ambiente noticiado.
O problema é que quem quer ser jornalista mesmo, arregaçar as mangas e trabalhar, ao fazer uma notícia, tenta veicular o conteúdo com maestria, não consegue desvincular todo o seu emocional.
Não é fácil você entrevistar mães chorando pela perda de um filho e ter que retratar aquilo para milhões de pessoas. Devo confessar que o motivo desse texto tem a ver com algo que me deixou um pouco estranha hoje.
Estava no ônibus indo para minha casa depois de um dia maravilhoso, e lendo um livro comecei a analisar o burburinho que se formava.
Era um acidente. Comecei a escutar atenciosamente cada fato, cada descrição, a expressão das pessoas, o trânsito completamente parado na BR e comecei a questionar as pessoas sobre o tal acidente do dia.
Um motoqueiro cortou a frente de um caminhão que se desgovernou, caiu sobre uma tubulação de água que abastece quase toda Grande Florianópolis. O homem que dirigia o caminhão faleceu afogado devido à pressão da água vinda do tubo.
“Digeri” a notícia como um estudante de jornalismo faria, agi com total “frieza” apesar de saber que o fato não deve ser levado a esse ponto. Comecei a pensar em como poderia construir uma notícia e aquilo foi tomando conta de minha cabeça até que minha avó liga para meu celular.
O trânsito estava completamente parado, e ela começou a perguntar se eu estava muito longe de casa. Eu respondi que sim e então ela disse que era devido ao acidente estrondoso que teve. Algo que eu já sabia, mas ela disse uma informação a mais, quem estava no volante e que havia falecido. Um amigo da família, pai de uma grande amiga minha.
Nesse momento minha veia jornalística, a notícia que estava construída em minha mente se desmanchou, um sentimento de dor e angústia tomou meu corpo de uma forma que eu fiquei paralisada, sem pensar, em entender, apenas ali, sentada ouvindo.
Não foi fácil ver a notícia na internet, na TV, porque eu tenho vínculos com a notícia, não foi fácil analisar o jornalista ao passar a informação, sendo que eu não estava prestando atenção nisso.
O jornalismo acaba sendo uma profissão difícil quando temos algum tipo de vínculo com o fato, seja esse vínculo direta ou indiretamente.
E o que me deixou mais intrigada foi o que meu professor disse na noite de ontem.
“Será que não está na hora de fazer um Jornalismo diferente?”
Talvez seja a hora de mudarmos nossos parâmetros e percebermos que um jornalista não é um computador ou uma máquina que sintetiza. Somos comunicadores com carne, osso, coração e seres emocionais e racionais. Será que não está na hora de abandonar um pouco as fórmulas ensinadas na Faculdade? Afinal, que tipo de comunicadores estamos formando?

Talvez eu não sirva para ser jornalista, ou talvez, eu só tenha medo de me tornar ainda mais gélida com o tempo devido a minha profissão.

Obs.: Não sei se o texto está bom, ruim, ou utópico demais... Só sei que eu precisava escrever, e me condenem ou não, usei o sentimento que está aqui guardado.

11 comentários:

Mel Boliveira disse...

Olá Jhenifer,
Ainda estou em dúvida, mas também penso no curso de jornalismo.
Claro estou sempre atenta aos telejornais, comunicadores em geral, notícia impressa, enfim...pra avaliar e aprender a agir com esses profissionais.
Concordo com você que temos ossos, coração e sentimentos como qualquer outro profissional, não quero ter que tratar o meu trabalho de forma gélida se assim for.
òtimo post, eu amei, parabéns!
Abraço :)

ઇઉ Nárgela Bueno ઇઉ disse...

então...a profissão de jornalista é algo realmente complicado pelo fato de que eles tem que manter a população atualizada mais sem causar pânico.O problema realmente é este.acho que na verdade um jornalista tem que no fundo ter uma veia artística para ser bom...assim ele se envolve mais faz seu trabalho.vou seguir bjks

Carol ;) disse...

Jhenifer,muito tempo que eu não venho aqui ;/

Bom,ser jornalista é complicado mesmo embora eu só esteja iniciando a faculdade né,mas já que você me deu muita força pra eu começar a fazer,não sei se consigo,mas vou tentar de ajudar.

Sei o quanto é chato passar por essas situações,um caso parecido foi meu tio,que morreu esmagado por dois caminhões e eu fiquei sabendo disso através de uma manchete no jornal,e isso me deixou tãao mal :(

Mas assim,o que eles passam na faculdade é uma base pra que você possa ser forte ao encarar a realidade,quando deixar de ver a teoria e partit pra prática.
Como diria Traquina:" A função do jornalista é mostrar a realidade,doa a quem doer".

É tão fácil falar,tão difícil é lhe dar com esse tipo de notícia,principalmente quando conhecemos uma pessoa que está envolvida.
Nossa função é informar,representar um grande papel para a sociedade,selecionando notícias,mas é uma profissão que apesar de tudo é interessante,pois um dia podemos ganhar um prêmio,ou entrevistar pessoas fantásticas,acontece essas tragédias,que podem nos abalar siim,e muito,e as às vezes podemos ajudar algumas pessoas.
Mas vamos encontrar no decorrer da nossa futura profissão,muitas surpresas,notícias ruins,mas coisas boas também só precisamos ser fortes em relação a isso!

Torço muito por você,acredite nisso e estou sendo sincera.Abraços e fique bem :)

Amanda Ribeiro disse...

Oi Jhenifer! Tem selos pra vc no meu blog. Bjo... =*

Cassia disse...

Visitei sua casa

Visite a minha também
O endereço é:

http://verdorinvisivel.blogspot.com/

Beijos

Vanessa Gonzaga disse...

Oi, Parabens, o seu blog é otimo, seus textos são realmente muito bons!
Se puder seguir meu blog tbm...
Obrigada! Bjos

Jacqe Novais. disse...

Oi lindo o blog,parabéns
seguindo.
meu Blog http://confissesdeumamaluca.blogspot.com/
apareça Será muito bem vinda

La Magnifica disse...

Seu blog é lindo!
http://mimundo-naty.blogspot.com/

Lariissa Torres. disse...

Oiiie amei seu blog , e sobre seu texto adorei pois tambem penso em fazer jornalismo, continue assim
beeijao
ja estou te seguindo :*

e acredite nada é dificil se vc acreditar, :)

Suzi disse...

Impressão minha ou mudou o endereço do blog?

Bom, eu acho que você tem razão: tem que ter outro tipo de Jornalismo. Não que o "parcial" tenha que ser ultrapassado. Mas, eu acho que tem que ter o outro lado.

Bbzinha disse...

Adoro a profissão! É show!Seu blog tá fofo! Me visite http://www.enovice.blogspot.com/